Critérios para Especificação de DPS

Os dispositivos de proteção contra surtos — DPS — são componentes essenciais para a proteção das instalações elétricas contra sobretensões transitórias originadas por descargas atmosféricas ou manobras na rede elétrica. Em instalações industriais com equipamentos de automação, instrumentação e informática, a ausência ou especificação inadequada de DPS pode resultar em danos a equipamentos de alto valor e paradas não planejadas com custo operacional elevado.

Em Gravataí, onde plantas industriais do Distrito Industrial e do Complexo Automotivo operam com sistemas de automação sofisticados e equipamentos eletrônicos de alto valor, a proteção contra surtos é um requisito técnico que deve ser incorporado desde a fase de projeto elétrico.

O que são surtos elétricos

Surtos elétricos são sobretensões de curta duração — tipicamente microsegundos a milissegundos — que se propagam pelo sistema elétrico e podem danificar ou destruir equipamentos conectados à instalação. As principais fontes de surtos são descargas atmosféricas diretas ou indiretas nas linhas de alimentação, manobras de cargas indutivas como motores e transformadores, e operação de disjuntores e fusíveis que interrompem correntes elevadas.

A amplitude dos surtos pode ser muito superior à tensão nominal da instalação — surtos de centenas ou milhares de volts são comuns em instalações sem proteção adequada — e sua energia, embora pequena em termos absolutos, é suficiente para destruir componentes eletrônicos sensíveis.

Classificação dos DPS

A norma ABNT NBR IEC 61643-11 classifica os DPS em três tipos de acordo com a aplicação. O DPS Tipo 1 é instalado na entrada da instalação, geralmente na subestação ou no quadro geral, e é dimensionado para suportar a corrente de descarga de uma raio que atinge diretamente a linha de alimentação. O DPS Tipo 2 é instalado nos quadros de distribuição e protege os circuitos internos contra surtos que passaram pelo Tipo 1 ou originados internamente. O DPS Tipo 3 é instalado próximo aos equipamentos a proteger — tomadas, quadros locais — e complementa a proteção dos Tipos 1 e 2.

Em instalações industriais de Gravataí, a proteção completa geralmente exige a instalação combinada de DPS Tipo 1 na subestação e DPS Tipo 2 nos quadros de distribuição, com DPS Tipo 3 em pontos específicos onde equipamentos eletrônicos sensíveis estão instalados.

Parâmetros de especificação

A especificação do DPS deve incluir a tensão máxima de operação contínua — Uc — que deve ser compatível com a tensão nominal da instalação. A corrente de descarga nominal — In — indica a corrente de surto que o DPS pode dissipar repetidamente sem degradação. A corrente de descarga máxima — Imax — é o valor de pico que o DPS suporta uma única vez sem destruição. O nível de proteção de tensão — Up — é a tensão máxima que aparece nos terminais do DPS durante a passagem de uma corrente de surto especificada — esse valor deve ser inferior à tensão suportável dos equipamentos a proteger.

Distância de instalação

A eficácia da proteção depende não apenas das características do DPS, mas também da distância entre o DPS e o equipamento protegido. Quando essa distância é superior a alguns metros, a indutância do condutor que conecta o DPS ao equipamento pode resultar em sobretensão residual que ultrapassa o nível de proteção do DPS. Nesse caso, a instalação de DPS adicionais mais próximos aos equipamentos sensíveis é necessária.

Coordenação entre DPS

Quando DPS de diferentes tipos são instalados em série no mesmo sistema, é necessário verificar a coordenação entre eles. Um DPS Tipo 2 instalado muito próximo de um DPS Tipo 1 pode não funcionar corretamente, pois a energia do surto pode ser dissipada principalmente pelo Tipo 2 em vez do Tipo 1, sobrecarregando o dispositivo de menor capacidade. A norma define distâncias mínimas entre DPS de tipos diferentes ou o uso de DPS combinados com coordenação garantida pelo fabricante.

Conclusão

A especificação de DPS em instalações industriais requer conhecimento das fontes de surto, dos equipamentos a proteger e dos parâmetros técnicos dos dispositivos disponíveis no mercado. Em Gravataí, onde plantas industriais de alta tecnologia dependem de sistemas eletrônicos para sua operação, incorporar a proteção contra surtos como requisito de projeto é uma prática que protege investimentos significativos e garante a continuidade operacional das instalações.

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